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Como o bem-estar animal se tornou um diferencial na agroindústria

07 de Janeiro de 2019

A aplicação dos conceitos de bem-estar animal é um assunto que está cada vez mais entre as prioridades da agroindústria no Brasil, seguindo uma tendência já consolidada em outros países. Como ocorre em muitos segmentos da economia, mudanças no processo de produção têm ocorrido muito por causa do comportamento e dos novos hábitos e exigências do público, muito mais bem informado sobre o que compra e consome graças a internet. No caso de toda a cadeia da agroindústria, não está sendo diferente.

O consumidor exige respeito aos animais e valoriza e admira empresas que adotam boas práticas e até buscam certificações quanto ao modelo de criação. Ou seja, não admitem maus-tratos nem crueldade com aves, suínos e bovinos, e esperam que as empresas (fabricantes de alimentos, donos de granjas, aviários e fazendas) sigam procedimentos em que haja respeito e seja proporcionada qualidade de vida para os animais. Por isso, este consumidor também está disposto a pagar mais pelo produto final que tenha origem em processos baseados no bem-estar animal, além de associar as boas práticas com a qualidade do produto, como já indicam pesquisas de mercado.

A origem do bem-estar animal

As preocupações com o bem-estar animal tiveram origem na década de 1960, mas foram padronizadas em 1979 a partir do FAWN (Farm Animal Welfare Council ou Conselho do Bem-estar dos Animais de Fazenda), órgão da Inglaterra que instituiu a descrição geral de bem-estar animal baseada em cinco liberdades para os animais de criação para consumo humano:

1) Livres de fome, sede e desnutrição;

2) Livres de desconforto;

3) Livres de dor, ferimentos e doenças;

4) Livres para expressar seu comportamento;

5) Livres de medo e estresse.

Some-se a essas liberdades os conceitos de saúde e funcionamento animal, o estado afetivo do animal e as adaptações naturais dos animais. A partir disso, as empresas precisam cuidar de questões gerais como a infraestrutura que abriga os animais, a nutrição animal e até deixar de lado medidas como o uso de gaiolas adotando o sistema Cage-Free.

Mas também devem tratar de aspectos específicos de acordo com o tipo de animal e de produto gerado. No caso das galinhas poedeiras, por exemplo, as exigências para que uma empresa receba o certificado de bem-estar animal incluem itens como:

– A gestão da cama, que é um ponto bastante importante. Deve estar sempre seca, em boas condições para que os animais possam expressar o seu comportamento natural;

– Debicagem proibida, permitido apenas o aparo de bico em um nível mínimo, e o procedimento deve ser realizado até os 10 dias de idade;

– Conforto térmico através de controle de temperatura e ventilação, níveis de amônia controlados, número mínimo de horas de escuridão total e de luz;

– Presença de uma área separada para o tratamento das aves doentes, com os mesmos recursos disponibilizados às outras aves.

Fonte: Luiz Mazzon/Blog Certified Humane

Práticas para atender demandas e ganhar produtividade

O crescimento da demanda e a oportunidade de conquistar novas fatias do mercado são os motivos pelos quais empresas de grande porte, entre as quais BRF, Nestlé e Unilever, têm feito investimentos para aplicação do conceito de bem-estar animal. Sendo multinacionais, trazem a preocupação para suas unidades produtoras no Brasil até como forma de dar satisfação aos investidores do país de origem da empresa onde a exigência das boas práticas é muito maior.

Outro aspecto importante de adotar práticas de bem-estar animal é que as ações acabam indo além de atender uma nova demanda. Na verdade, mudar o padrão de criação transforma completamente a eficiência e a produtividade. Ao observar com mais atenção a questão do espaço de criação de animais, pode-se, por exemplo, reduzir consideravelmente a mortalidade de aves e suínos porque o ambiente é mais adequado com melhor iluminação, temperatura, alimentação e água suficiente para atender as necessidades dos animais. Este conforto, com menos animais por metro quadrado, entre outras melhorias, faz com que eles respondam melhor ao manejo, com menos estresse, o que acaba influenciando diretamente na qualidade do produto que chega ao consumidor.

Bem-estar animal certificado

Seguindo a tendência do mercado, as empresas também têm buscado selos de compromisso e adequação com o bem-estar animal como o do programa Certified Humane, do Humane Farm Animal Care (HFAC ). Sem fins lucrativos, o órgão é o principal certificador internacional voltada para a melhoria de vida dos animais de produção e que atua também no Brasil. “O grande impulso é dado pelo mercado, que está pressionando os produtores a adotarem práticas mais humanas de manejo”, afirmou em entrevista Luiz Mazzon, diretor para a América Latina da HFAC.

Segundo ele, entre pecuária, suinocultura e avicultura, o último é o segmento que tem demonstrado maior engajamento com a questão do bem-estar animal, citando como exemplo a criação de galinhas poedeiras para ter uma melhor produção de ovos. “Mas muitas empresas já estão se comprometendo em melhorar as práticas na criação dos suínos com grandes abatedouros se adequando às normas para abate humanitário, e pouco a pouco as legislações vão absorvendo práticas de bem-estar”, diz.

A Eurotec Nutrition apoia as iniciativas relacionadas ao bem-estar animal e convida você a compartilhar as boas práticas de respeito e qualidade de vida dos animais de produção adotadas na sua empresa, granja, aviário ou fazenda. Acesse nosso Facebook para comentar.